Ética nas relações

Ética nas relações

1. Definição

Por definição, ética seria: “1. Estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal; 2. Conjunto de normas e princípios que norteiam a boa conduta do ser humano”.

A palavra “ética” possui origem no vocábulo grego ethos, que literalmente significa “costumes” ou “hábitos”. No latim, é usado o termo correspondente mos (moral) com o sentido de “normas” ou “regras”. Assim, “ética e moral referem-se ao conjunto de costumes tradicionais de uma sociedade e que, como tais, são considerados valores e obrigações para a conduta de seus membros”.

Como esses termos, “ética” e “moral”, são muito próximos, eles são muitas vezes confundidos e usados como sinônimos. No entanto, para fins didáticos e acadêmicos, é possível defini-los separadamente, os filósofos gregos foram os primeiros a pensar o conceito de ética associando a tal palavra a ideia de moral e cidadania.

2. Ética e Moral

Ética e Moral

A ética enquanto ciência pode ser entendida como a parte da filosofia que investiga os fundamentos da moral adotados por uma cultura. Foram os filósofos gregos que começaram a estudar esses fundamentos para então “identificar” uma pessoa como sendo boa ou má e também um ato como sendo bom ou mau. A partir desses fundamentos, alguém pode ser classificado como “ético” ou “antiético”.

Pode-se afirmar, por exemplo, que a ética de Platão (427-347 a.C.) era “transcendente” e “deontológica”. Essa teoria acredita que a noção do correto é algo moralmente bom em si mesmo. Nesse caso, a fundamentação do certo e do errado está ligada ao bem-estar de alma, um estado inerente ao ser humano e procedente de um mundo superior. Aqui o homem obedece ao dever, independentemente das consequências que a obediência pode resultar para si ou para os outros.

Em contrapartida, com Aristóteles (384-322 a.C.) surgiu a ética “imanente” e “teleológica” ou “utilitária”. Essa teoria argumenta que o correto só pode ser definido a partir das consequências que um ato ou uma má ação possa produzir. Aqui a fundamentação do certo e do errado procedem do mundo dos homens e depende apenas da utilidade e do bem-estar que as ações do indivíduo podem resultar para si ou para os outros.

A moral, por sua vez, refere-se ao comportamento das pessoas e às reações dos indivíduos que compõem uma sociedade em relação às regras estabelecidas pela ética. Como observado, essas regras podem ser diferentes de uma cultura para outra e ainda podem ser modificadas de acordo com as transformações vividas pelos grupos sociais. Tudo depende da fonte de autoridade que lhes serve de fundamento para os padrões de conduta.

Quando se analisa as teorias éticas acima discutidas, percebe-se que na “deontológica” é o princípio da ação moral que é bom ou mau independente do resultado. Já na teoria “teleológica”, o princípio moral é substituído pela previsão racional das vantagens e desvantagens que determinada ação pode produzir. No primeiro caso, os atos morais, mesmo corretos, podem prejudicar a si e ao outro. No segundo caso, a moral se relativiza, busca não se prejudicar evitando o sofrimento, e assim pode servir para legitimar a máxima que diz “os fins justificam os meios”.

3. Ética Cristã

A ética cristã tem como objetivo indicar a conduta ideal para a retidão do comportamento humano. O fundamento moral da ética cristã são as Escrituras Sagradas. Portanto, a ética cristã não se modifica e nem se relativiza. Desse modo, a ética cristã não pode ser desassociada da moral e dos bons costumes preconizados nas doutrinas bíblicas.

Ética Cristã

Sob essa concepção, os pais da Igreja adotaram a ética ‘transcendente” e “deontológica”. Isso significa que a vida cristã procede de um DEUS transcendente e pessoal que concede ao ser humano a capacidade de viver a verdadeira moral.

Com o advento da Reforma Protestante (1517), os reformadores restauraram a ética de Agostinho, defenderam a revelação bíblica como única infalível regra de fé e conduta (Sola Scriptura) e a estenderam a todos os homens. Assim, a ética protestante reafirma a doutrina bíblica de que todos serão julgados à luz do conhecimento que tiveram de DEUS. E, de acordo com o apóstolo Paulo, quando esse conhecimento for parcial, os homens serão julgados pela lei escrita em seus corações, olhe:

Romanos 2: 14-16- ” 14. Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei, 15. os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os, 16. no dia em que DEUS há de julgar os segredos dos homens, por JESUS CRISTO, segundo o meu evangelho”…

4. Ética Empresarial

Quando aplicada no meio empresarial, a ética pode ser entendida como um valor da Organização que assegura sua sobrevivência, sua reputação e, consequentemente, seus bons resultados. É o comportamento da empresa quando ela age de conformidade com os princípios morais e as regras do bem proceder aceitas pela coletividade

Ética Empresarial

Sabemos que o Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo, e que, também é o país onde mais se fecha empresas num curto espaço de tempo por conta da falta de Planejamento.

No entanto, mesmo com planejamento, e superando essa expectativa de tempo de existência, se as Organizações não mantiverem uma conduta ética em todo período de existência, certamente não continuarão no mercado ou terão sério problemas para permanecerem nele.

Uma grande montadora, em 2015, adulterou motores de forma que percebiam quando estavam sendo checados e então emitiam menos poluentes para terem aprovação na fiscalizaram nos Estados Unidos, quando na verdade, estavam emitindo 40 vezes mais poluentes do que o permitido naquele país.

O que aconteceu? 1. Foram descobertos; 2. O CEO teve que pedir demissão; 3. Comprometeram 06 meses de faturamento da Organização para pagar multas e reparos, o que manchou a imagem da marca.

Veja que texto Bíblico extraordinário escrito aproximadamente em 950 a.C., portanto, há quase 3000 mil anos atrás:

Provérbios 11: 1- “Balança enganosa é abominação para o SENHOR, mas o peso justo é o seu prazer”.

A palavra “provérbio” origina-se de duas palavras latinas: pro (em vez) e verbum (palavra, vocábulo). Portanto, um provérbio é uma sentença que substitui muitas palavras, é uma afirmação curta que resume um princípio de sabedoria…

O significado deste provérbio vem do comércio. Uma das maneiras mais antigas de enganar clientes é por meio de uma balança enganosa. Até hoje, órgãos como o Inmetro tem o objetivo de proteger o cidadão do engano de comerciantes sem escrúpulos.

Tratar o próximo de forma justa é um prolongamento do mandamento para amar o próximo como a si mesmo, veja:

Levítico 19: 18- “Não te vingarás, nem guardarás ira contra os filhos do teu povo; mas amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o SENHOR”…

Que, por sua vez, é um prolongamento do mandamento principal a Israel: amar a DEUS acima de tudo:

Deuteronômio 6: 5- “Amarás, pois, o SENHOR, teu DEUS, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder”…

É por isso que balança enganosa é uma abominação para DEUS, um termo especialmente usado a respeito de coisas ou atos pelos quais se tem religiosa aversão, àquilo que era detestado pelo povo ou pelo SENHOR DEUS de Israel.

Este versículo é uma reprodução enfática da antiga regra descrita no quinto livro do Pentateuco, Deuteronômio capítulo 25, versículos 13 e 14, note:

Deuteronômio 25: 13-14- “13. Na tua bolsa não terás diversos pesos, um grande e um pequeno. 14. Na tua casa não terás duas sortes de efa, um grande e um pequeno”…

É talvez um traço do perigo de desonestidade incidental ao crescente comércio dos israelitas. A ênfase foi colocada sobre o mesmo pecado em Provérbios capítulo 16, versículo 11 e Provérbios capítulo 20, versículo 10, perceba:

Provérbios 16: 11- “O peso e a balança justa são do SENHOR; obra sua são todas as pedras da bolsa”…

E:

Provérbios 20: 10- “Duas espécies de peso e duas espécies de medida são abominação para o SENHOR, tanto uma coisa como outra”…

Desta forma, testemunha o desejo do professor de educar a juventude de Israel a um alto padrão de integridade.

Este ditado, escrito há 3.500 anos, precisa ser aplicado por todos nós nos dias de hoje. Quando pagamos o valor de 01 quilo de feijão, não queremos levar para casa apenas 900 g. Quando vendemos produtos, devemos ser honestos. Quando trabalhamos para receber pagamento, devemos cumprir o horário e as tarefas combinados, uma prova deve ser feita de fato, não se deve “colar”, ou seja, dizer que respondeu a prova, quando não respondeu.

O resultado, ao aplicarmos princípios éticos de alto padrão nas ações diárias, e a Bíblia está cheia deles, será uma relação de confiança entre as partes envolvidas que culminará em ganhos para todos: se vendo e entrego o correto, preciso calcular bem o preço de venda para ter o lucro esperado; se cumpro o horário e as tarefas combinadas na empresa, terei mais trabalho feito, consequentemente, aprovação dos superiores; se determino não usar fraude na prova, terei que estudar para passar, aprenderei de fato a matéria, serei melhor profissional, entre outras…

Além disso, a Bíblia também fala sobre a “lei da semeadura”, que é uma regra geral que ensina que cada pessoa colhe o que planta. Nossas ações têm consequências.

Note o texto Bíblico:

Gálatas 6: 7- “Não erreis: DEUS não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”…

Cada um colhe aquilo que semeou em sua vida, cada ação, cada decisão tem suas consequências. Isso é a lei da semeadura. Por exemplo, se uma pessoa semear milho no quintal dela, não colherá arroz, colherá milho.

DEUS tem um tempo para cada semente que plantamos, Seu tempo nem sempre é o nosso. Algumas vezes o “tempo certo” significa um retorno rápido. Algumas vezes significa um processo de retorno lento que pode demorar anos – até mesmo uma vida.

Mas podemos contar com três coisas: PRIMEIRO– DEUS fará com que haja uma colheita de nossas sementes. SEGUNDO– nunca é cedo ou tarde demais – Ele está sempre certo com relação ao tempo com nossos melhores interesses no coração. TERCEIRO– nossa colheita terá a mesma natureza das sementes semeadas: as boas sementes trarão boa colheitas, as más sementes, más colheitas.

O que devemos fazer no período de crescimento de nossas sementes: 1) Recusarmo-nos a desanimar. 2) Determinarmo-nos a manter nossa fé viva e ativa. Lembremo-nos que a “lei de semear e colher” aplica-se a todos. Semeemos somente aquilo que desejamos colher. DEUS garante que a colheita chegará.

A regra de ouro do evangelho diz que devemos “fazer para os outros o que queremos que os outros façam para nós”, olhe:

Mateus 7: 12- “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós”…

Perceba que a ação está em nós: “fazei-lho…”, quando nos colocamos no lugar do outro e perguntamos o que esperaríamos dele, para fazer algo, isto tende a nos tornar imparciais, sinceros e justos nas ações, sejam quais forem.

A conduta ética nas relações de trabalho seja no nível qual for, e nas relações pessoais, sempre trará bons resultados…

Que o SENHOR DEUS nos continue a abençoar!!!

Willian Sousa

Consultor Empresarial

Especialista em Controladoria e Finanças

Fontes de pesquisa:

  • biblegateway.com;
  • Bíblia de Estudo Plenitude;
  • Bíblia Sagrada;
  • biblia.com.br/dicionario-biblico/;
  • bibliacomentada.com.br;
  • Comentário Bíblico Wiersbe; Warren W. Wiersbe; 1ª. Edição; Geográfica; 2008;
  • respostas.com.br/;
  • Valores cristãos- Enfrentando as questões morais do nosso tempo; Douglas Baptista; 1ª. Edição; CPAD; 2018;
  • videolivraria.com.br;
  • Wikipédia.
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